10 de outubro de 2010

DERRAME DE LAMA TÓXICA NA HUNGRIA

Os 800 habitantes da aldeia de Kolontar foram evacuados hoje na sequência de uma nova fissura na parede de um reservatório da fábrica de bauxite e alumínio que provocou um derrame de lamas tóxicas na segunda-feira.(CLIQUE PARA VER IMAGENS IMPRESSIONANTES)
Esta fissura faz temer uma "provável" segunda inundação de lama vermelha tóxica depois de catástrofe do dia 4, que provocou pelo menos sete mortes, um desaparecido e 150 feridos, segundo o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban citado pela AFP.
O reservatório 10 da fábrica situada em Ajka, 160 quilómetros a ocidente de Budapeste, está em risco de se desmoronar completamente devido a uma nova fissura na sua parede e "500 mil metros cúbicos de lama tóxica" poderão espalhar-se na região, precisou o chefe do governo.
VEJA O FILME: TUDO ISTO SÃO CLARAMENTE "RUMORES DO FIM", JESUS VEM MUITO BREVE. ELE É A SUBLIME ESPERANÇA  DOS QUE CRÊEM, AMÉM! 

8 de outubro de 2010

EXTRAODINÁRIO DISCURSO DE UM SOLDADO AMERICANO DOIS DIAS ANTES DE MORRER



Discurso de um soldado americano (vejam antes que o vídeo seja banido da Net).
O soldado apareceu morto 2 dias depois do discurso, a autópsia revelou ter sido vítima de um ataque cardíaco.
Depois de um discurso destes, é difícil acreditar em ataque cardíaco. A menos que tenha sido provocado. Não seria de estranhar...

7 de outubro de 2010

A DOUTRINA DO CHOQUE OU A DOUTRINA DA ESPERANÇA

O documentário que assistirá abaixo foi produzido por Naomi Klein, estrela do movimento antiglobalização desde que escreveu “No Logo”, onde denuncia a cultura do consumismo e as relações de poder entre as grandes corporações e os trabalhadores.
A jornalista canadiana publicou o livro: “A Doutrina do Choque”, onde faz considerações sobre o que chama “capitalismo do desastre”. Para Klein, é essa filosofia da força e poder que determina as relações políticas e sociais dos dias de hoje.
Para defender a sua tese, a autora relembra a terapia do choque, usada pela psiquiatria nos anos 40, que permitia, a partir do uso do choques elétricos em pacientes, “limpar” a mente dos doentes, de modo que pudesse ser trabalhada pelos médicos de maneira supostamente saudável.
Nos anos 50, a CIA, agência americana de inteligência, apropriou-se do método para interrogatório, levando as pessoas a passarem por situações que causassem choques psicológicos.
Na economia, a doutrina do choque é apresentada como uma filosofia de poder que aponta os períodos subsequentes a grandes tragédias, segundo a escritora, como a oportunidade ideal para impor ideias radicais do livre mercado a sociedades em estado de choque com os desastres. Foi assim com o massacre de Tiananmen. Foi assim com o colapso da União Soviética. O 11 de setembro de 2001. A guerra contra o Iraque, O Tsunami asiático. O furacão Katrina em Nova Orleans.
Naomi Klein é uma voz importante na comunidade internacional, muito embora eu fique um pouco inquiento com a sua visão maniqueísta da política contemporânea. Mas o seu raciocínio no documentário abaixo fez-me pensar sobre como a doutrina do choque se aplica com muita frequência à vida religiosa nos dias de hoje. É algo que me afecta directamente por um motivo simples: sou cristão, adventista do sétimo dia, e acredito, portanto, na volta de Jesus. Actualmente, os adventistas estão fazendo um grande esforço para associar esse acontecimento a um futuro com esperança. Fico feliz de ver essa apresentação de modo tão clara e bíblica, devo no entanto reconhecer que há uma franja dentro da igreja que gostariam que a Vinda de Jesus fosse apresentada como “onde de choque de medo” que levasse as pessoas a alterem o modo de vida pelo “choque psicológico”, é importante os dirigentes serem guiados pelos Espírito Santo e não se deixarem manipular por essas franjas. Recordo a conversa que tive com um sacerdote Católico, não há muito tempo sobre algumas doutrinas erradas da Igreja Romana, respondeu com toda a honestidade "se alterassemos alguma coisa o povo não o permitiria". Mal está quando o "rebanho" guia o "pastor", digo eu.
Lamentavelmente, há ainda uma forte visão no Cristianismo moderno que se vale de recursos parecidos com a doutrina do choque denunciada por Naomi Klein. A apresentação da volta de Jesus não está ligada a um recomeço, mas ao fim dos tempos; o Armagedom seduz mais do que o Lar Celestial; o medo prevalece sobre o amor.
A tradição cristã registada na Bíblia é clara quanto ao poder libertador da devoção cristã. O próprio Jesus sentenciou: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Num outro texto, está escrito que “o amor lança fora o medo”. O esforço dos adventistas é apresentar o Cristianismo como um exercício de libertação para um futuro com esperança. A adoração pela conversão é esperança, a adoração pela imposição é inquisição!

6 de outubro de 2010

A UNIVERSALIDADE DO MAL

Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, (Olá! camaradas Sócrates...Olá! Armando Vara...), que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.
Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.
Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido.
Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.
Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.
A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.
Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.
Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.
Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado.
Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.
Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.
Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.
Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.
E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.
Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?
Vale e Azevedo pagou por todos?
Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?
Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?
Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?
Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.
No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?
As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?
E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?
Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?
E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?
E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.
Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.
Ninguém quer saber a verdade.
Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.
Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.
Este é o maior fracasso da democracia portuguesa
Clara Ferreira Alves - "Expresso"

3 de outubro de 2010

O BRASIL VAI ÀS URNAS PARA AGRADECER AO CESSANTE

Luíz Inácio Lula da Silva (Garanhuns, 27 de Outubro de 1945), mais conhecido como Lula, é um político e ex-sindicalista brasileiro. Ele é o trigésimo quinto e actual presidente da República Federativa do Brasil, cargo que exerce desde o dia 1º de Janeiro de 2003.
Lula, forma hipocorística de "Luís", é sua alcunha desde os tempos em que era representante sindical. Posteriormente, este apelido foi oficialmente adicionado ao seu nome legal para poder representá-lo eleitoralmente. É co-fundador e presidente de honra do Partido dos Trabalhadores (PT). Em 1990, foi um dos fundadores e organizadores, junto com Fidel Castro, do Foro de São Paulo, que congrega parte dos movimentos políticos de esquerda da América Latina e do Caribe.
Lula é o brasileiro que mais vezes se candidatou à presidência da República do Brasil, sendo candidato a presidente cinco vezes.
Em 2006 ultrapassou Rui Barbosa, que se candidatou quatro vezes.
Com carreira política feita no estado de São Paulo, Lula é o único presidente do Brasil nascido em Pernambuco. Seu património pessoal, conforme declarado à justiça eleitoral por ocasião das eleições de 2006, foi avaliado em cerca de 840 mil reais.
Segundo a revista norte-americana Newsweek, Lula se encontrava em final de 2008 no 18° lugar das pessoas mais poderosas do mundo, ocupando a liderança do ranking na América Latina. Em lista divulgada pela revista Forbes em Novembro de 2009, Lula foi considerado a 33ª pessoa mais poderosa do mundo. Em ambas as listas, primeira colocação mundial é ocupada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Em 2009 foi considerado o 'homem do ano' pelos jornais Le Monde e El País. De acordo com o jornal britânico Financial Times foi uma das 50 pessoas que moldaram a década pelo seu "charme e habilidade política" e também por ser "o líder mais popular da história do país." Para o Instituto Datafolha, Lula era a personalidade mais confiável dentre uma lista de 27, em pesquisa publicada no primeiro dia do ano de 2010.
Os brasileiros vão hoje às urnas para reeleger Lula. Informação errada? Só nominalmente: que interessa que a candidata do PT seja Dilma Rousseff? Se Lula (o Cara, como é carinhosamente tratado pelo presidente dos Estados Unidos) tivesse escolhido um rinoceronte como sucessor (já aconteceu: conta a revista ´Veja´que, na década de 50, um destes bichos foi candidato a deputado por São Paulo), os brasileiros votavam no rinoceronte. Não admira: Lula arrancou 20 milhões de brasileiros da pobreza e a economia do país prepara-se para ser uma das cinco maiores do mundo.
Mas a lenda Lula, que o próprio foi construindo, fez-se por continuidade, não por revolução: a continuidade da política de Fernando Henrique Cardoso, que disciplinou a inflação e abriu a economia brasileira às privatizações e ao exterior. Lula, controlando as franjas radicais do PT, respeitou a cartilha do antecessor e, mesmo no seu famoso assistencialismo, apenas aprofundou e alargou o que já vinha de trás. Em rigor, o Brasil não vai eleger um novo presidente. Vai às urnas para agradecer ao cessante.

O QUE OS CATÓLICOS MAIS DETESTAM: O CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II

Se a sociedade civil sentiu os primeiros movimentos telúricos em 1968, a Igreja entrou no clima de revisão pelo menos 6 anos antes, com o Concílio Ecuménico Vaticano II, iniciado em 1962 e encerrado em 1965. E com a renovação (compreensível e, em certos aspectos, aceitável e necessária) surgiram os primeiros sinais do terramoto que estava explodindo.

Alguém, com muito mais autoridade do que eu, já denunciara as modificações tentadas e feitas para mudar a rota da Igreja: uma visão teológica diferente de Deus, de Jesus Cristo, da Igreja e do homem, uma atitude pastoral diferente na relação Igreja / mundo e na relação entre a Igreja católica e as outras confissões cristãs ou entre a Igreja católica e as outras religiões, um modo diferente de conceber a disciplina.

Em Maio de 1989, o presidente da C.E.I., o Cardeal Ugo Poletti, preocupado com as consecutivas divisões no organismo clerical”. E ainda: “As preocupações referentes particularmente aos alunos dos nossos seminários e institutos religiosos, aqueles que amanhã serão os nossos novos sacerdotes, e que certamente não recebem hoje de alguns dos seus mestres um exemplo formativo, sob o perfil da teologia, da espiritualidade e do senso da Igreja”. Com o que sessenta e três especialistas em ciências eclesiásticas escreveram sobre a Igreja italiana e as “profundas alterações no conteúdo da fé católica”

Pergunto: se os bispos italianos não se limitassem somente a algumas lamentações sem efeito, a choramingas sem consequências, se tivessem tomado a decisão corajosa e dolorosa, no entanto, o terramoto agora permanente do qual a Igreja é vítima há 40 anos, foi veiculado nas novas gerações de padres mal formados nos seminários: a infecção que estes contraíram nos anos da sua formação (ou deformação!), transmitiram-na, depois, nas suas paróquias., torna-se necessária, desinfectar os seminários. Se tivéssemos tido essa coragem, teriam saído novos seminaristas em plena sintonia com a doutrina, com as directivas e com as necessidades da Igreja?

Hoje muitos bispos não governam mais a Igreja: diante de certos comportamentos gravíssimos de alguns padres, limitam-se a algumas amargas constatações e a piedosos conselhos, e nada mais. Parece que se envergonham do poder do governo, como se fosse um sinal de dureza do coração. Não governam por temer os contra-golpes que certamente receberiam de uma base (e estou falando de sacerdotes) agora já anárquica e ingovernável. Governar significa fazer Leis, obrigar a respeitá-las e punir quem as viola.

Jesus fundou a sua Igreja sobre três “pernas”. O poder de ensinar, o poder de santificar e o poder de governar. Tentar deixar a Igreja em pé só sobre duas pernas, sem o poder de governo, é pura e danosa ilusão. E a anarquia presente hoje na Igreja o demonstra amplamente

Quando até sacerdotes favoráveis ao aborto (e portanto assassinos) ficam impunes, qualquer outro rebelde sabe que terá garantida a impunidade. Se um padre cuspir no rosto de Cristo com heresias e revoltas sistemáticas, algum bispo está imediatamente pronto a invocar a caridade, a paciência, a necessária compreensão em relação a um irmão que se engana, a capacidade de saber aguardar um seu arrependimento... Se fosse preciso, por que renunciar a chamar a atenção também dos bispos? É S. Paulo que nos ensina a fazê-lo, criticando nada menos que o apóstolo Pedro, chefe da Igreja, e primeiro Papa, “de simulação, de hipocrisia, de comportamento não reto conforme a verdade do Evangelho” e o corrige “na presença de todos” (Gal 2, 11-14).
É o caso de meditar atentamente sobre quanto escreveu João-Paulo II falando de si mesmo: “Ao papel de Pastor faz parte também a advertência. Acho que, neste aspecto, talvez fiz muito pouco...Talvez devo reprovar-me por não ter procurado suficientemente dar ordens. Até certo ponto, isto deriva do meu temperamento. Se o bispo diz: “ Aqui quem manda sou eu”, ou então, “ Eu estou aqui para servir” falta alguma coisa: ele deve servir governando e governar servindo”.

A crítica é um bem quando nasce do amor à Igreja e da vontade de melhorar os nossos Pastores. E quando se critica a sua actuação não é baseado em nossos critérios, mas nos critérios de Jesus Cristo. Se um bispo não remove um padre pró-aborto (ou herege), os outros padres e todos os fiéis, embora sofrendo, não podem fazer nada. Este pecado de omissão permitiu aos lobos de permanecer imperturbáveis no meio do rebanho e prejudicar as ovelhas indefesas.

Estou consciente de que quem apresenta qualquer objecção em relação ao Concílio é imediatamente atacado como rebelde à Igreja. Mas, sem dúvida, é evidente que algumas coisas pouco claras ocorreram neste Concílio Ecuménico Vaticano II. O Papa Paulo VI teve a honestidade de reconhecer a espantosa tempestade em que a Igreja navega: “Em muitos sectores, o Concílio não nos deu até agora a tranquilidade, mas ao contrário provocou inquietações e problemas não úteis ao restabelecimento do Reino de Deus na Igreja e nas almas [...] Grande parte dos males não investem contra a Igreja do lado de fora, mas a aflige, a enfraquece a corrói por dentro”.

As dimensões do estrago denunciado por Montini quando diz: “ A fumaça de Satanás entrou no templo de Deus... Esperava-se que depois do Concílio viria um dia de sol para a história da Igreja. Mas, pelo contrário, chegou um dia nublado, com tempestades e trevas”

Para completar, o padre holandês Edward Schillebeeckx, afirmou sem hesitações: “No Concílio, nós usamos palavras equívocas e não soubemos ao que depois nos teríamos que ajustar”.

E João Paulo II se alia à denúncia ao lamentar: “É preciso admitir realisticamente e com dor que grande parte dos cristãos de hoje se sentem perdidos, confusos, perplexos e até desiludidos, se se difundiram fortemente ideias contrárias à verdade revelada e sempre ensinadas; se se propagaram verdades e até heresias no campo dogmático e moral, criando dúvidas, confusões, rebeliões; prejudicou-se também a liturgia. Imersos no relativismo intelectual, moral e, portanto, nos permissivíssimos, os cristãos são tentados pelo ateísmo, pelo agnosticismo, pelo iluminismo vagamente moralístico, por um cristianismo sociológico, sem dogmas e sem moral objectiva”

São responsáveis aqueles teólogos que, nas faculdades universitárias, até pontifícias, e nos seminários, há anos ensinam verdadeiras e próprias heresias ou deixaram no silêncio verdades incómodas (inferno, purgatório, mandamentos, castidade, penitência, indulgências...). São responsáveis aqueles pastores de alma que, na catequese e na pregação, não levam em conta as normas da Igreja no campo litúrgico e disciplinar. E responsáveis são também aqueles leigos que se conformaram com as bobagens de certos Pastores sem protestar. É o mesmo Bento XVI que nos exorta: “É tempo de reencontrar a coragem do anticonformismo, a capacidade de se opor e de denunciar muitas tendências da cultura que nos circunda. Renunciando a certa eufórica solidariedade pós-conciliar”.

Em poucas palavras, o Pontífice reinante, no encerramento do Ano Sacerdotal, afirmou. “ a Igreja usa o bastão contra os sacerdotes indignos”. Esperemos que esta sábia advertência não caia no vazio.
Texto baseado em Irene Bertoglio - "O Concílio e o terramoto na Igreja"

2 de outubro de 2010

EQUADOR EM CLIMA DE GUERRA

O Equador enfrenta um clima tenso nesta quinta-feira (30) por conta de protestos de policiais e militares em três cidades do país. Há relatos de comércio fechado e saques na capital, Quito, e em Guayaquil.

Militares tomaram as pistas do aeroporto de Quito, que estava fechado. O prédio do Congresso também foi tomado, segundo Julia Ortega, porta-voz do Legislativo.

O presidente Rafael Correa afirmou que não vai recuar do projeto que prevê cortar benefícios aos militares, e o comando militar manifestou lealdade a ele. Correa teve de usar máscara de gás para deixar um quartel, após discursar para tropas que protestavam, e foi hospitalizado logo a seguir.

Centenas de policias e militares foram às ruas em Quito, Guayaquil e Cuenca protestar contra proposta de legislação, feita pelo presidente Rafael Correa, que reduziria seus ganhos, tirando bônus e incentivos.

Eles queimaram pneus, ocuparam instalações militares e chegaram a fechar acessos às cidades.

Discurso de Correa
Em clima tenso, o presidente Correa discursou durante a manhã em um quartel do Exército em Quito e disse que não cederia.

“Não darei nenhum passo atrás. Se quiserem, tomem os quarteis, se quiserem deixar a cidadania indefesa e se quiserem trair sua missão de policiais”, afirmou Correa em uma acalorado discurso ante dezenas de militares que tomaram o principal regimento de Quito.

“Se quiserem matar o presidente, aqui estou, matem-no se tiverem vontade, matem-no se tiverem poder, matem-no se tiverem coragem ao invés de fiar covardemente escondido na multidão”, disse. “Se quiserem destruir a pátria, aí está! Mas o presidente não dará nem um passo atrás.”

Correa teve de usar máscara de gás para deixar o lugar, segundo relatos de testemunhas.

Depois de sair do regimento, Correa tirou a máscara e foi levado ao vizinho hospital da polícia, onde entrou de maca, mostrando sinais de asfixia por gás lacrimogênio.

Dois militares também ficaram feridos, segundo o hospital militar.

Comando promete lealdade
O principal comandante militar do Equador, general Ernesto González, afirmou que os soldados seguem leais a Correa.

“Nós estamos sob o estado de direito, estamos subordinados à máxima autoridade que é o senhor presidente da República”, disse em entrevista na cidade de Cuenca.

Ele disse que iria tomar as medidas necessárias para restabelecer a ordem.

Chanceler
O ministro de Relações Exteriores, Ricardo Patiño, disse que não há protestos populares, mas que os atos da polícia são “inaceitáveis e intoleráveis”.

“Esta não é uma insurreição popular, é uma insurreição de alguns grupos da polícia que estão mal informados porque, caso contrário, não fariam isso”, acrescentou.

Patiño denunciou ainda que, por trás das mobilizações militares e policiais, podem haver setores golpistas que buscam desestabilizar o país.

O ministro coordenador de Segurança Interna e Externa, Miguel Carvajar, disse que o país está em situação “delicada” e enfrentando um processo de “desestabilização do governo e da democracia”.

O presidente do Banco Central do Equador, Diego Borja, pediu calma, dizendo à população que não saque seu dinheiro dos bancos.

“O pior que poderia ocorrer neste momento é entrar em pânico, sacar dinheiro, colocar-se em risco porque saem do banco e podem ser assaltados”, disse Borja. Com o protesto de policiais, foram registrados alguns roubos a bancos nas últimas horas.

Procurada pelo G1, a Embaixada do Equador no Brasil afirmou que não iria falar sobre o assunto até que haja uma declaração oficial do governo equatoriano.

Aeroporto
Cerca de 500 policiais e militares teriam tomado a pista do aeroporto, segundo a rádio pública do Equador.

“Cerca de 150 efetivos da Força Aérea Equatoriana tomaram a pista do aeroporto Marechal Sucre e também a rua na entrada”, afirmou à rádio Quito o porta-voz da empresa administradora Quiport, Luis Galárraga. Ele acrescentou que o pessoal está formado em ambas as pistas e que, por motivos de segurança, é impossível dar prosseguimento às operações.

Impasse
Os protestos militares ocorrem ao mesmo tempo que o país enfrenta um impasse entre Correa e congressistas do seu próprio partido.

Mais de metade dos 124 parlamentares são oficialmente do bloco de Correa, mas o presidente teria entrado em atrito com eles porque eles não teriam concordado com propostas de austeridade e para reduzir a burocracia estatal – e nas quais estão incluídos os cortes nos benefícios para policiais e militares.

Correa estaria considerando dissolver o Parlamento, para governar por decreto até a convocação de novas eleições, segundo a ministra Doris Solis.

A dissolução da Assembleia é uma possibilidade prevista na Constituição aprovada em 2008, que permite ao presidente adotar a medida e convocar eleições imediatas para a escolha de novas autoridades legislativas e um novo presidente. Ela precisaria ser aprovada pelo tribunal constitucional.

Solís acrescentou que a decisão final dependerá de uma reunião convocada pela Assembleia Nacional para reconsiderar a votação sobre reformas legais que visam reduzir as dimensões da máquina pública.

“Estávamos avaliando. Ainda não foi tomada uma decisão. Nossa bancada tem a obrigação de ser coerente com o projeto. Desta maneira não é possível fazer política, e menos ainda um projeto de transformações”, disse a ministra, depois de uma reunião com o presidente, parlamentares e funcionários do governo.

O país, de 14 milhões de habitantes, tem uma longa história de instabilidade política.

A OEA (Organização dos Estados Americanos) convocou uma reunião de emergência para analisar o caso, nesta tarde em Washington.