30 de novembro de 2009

UE DEFENDE AÇÃO CONTRA MUDANÇA CLIMÁTICA E MAIS ENVOLVIMENTO DA CHINA

NANQUIM, China — A União Europeia (UE) destacou nesta segunda-feira que a contribuição da China para a luta contra as mudanças climáticas é indispensável, ao mesmo tempo que estimulou todo o planeta a intensificar os esforços para combater o fenômeno, a uma semana do início da conferência de Copenhague.
"Não se pode enfrentar o desafio do clima sem que a China adote um papel de líder e aceite sua responsabilidade", declarou o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, presidente semestral da UE, ao fim de uma breve reunião de cúpula China-UE em Nanquim, leste do território chinês.
Reinfeldt também destacou que é necessário fazer mais para lutar contra o aquecimento global e não ultrapassar um aumento da temperatura de dois graus centígrados.
"Pensamos até agora que as contribuições mundiais para reduzir (as emissões) não são suficientes para não ultrapassar um aumento limitado a dois graus centígrados", afirmou em uma entrevista coletiva conjunta com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.
"É preciso fazer mais", completou, a sete dias da abertura da conferência da ONU sobre o clima de Copenhague (7-18 de dezembro), que terá a participação de 192 países.
"Nossos esforços voluntários são sérios", respondeu o premier chinês, antes de afirmar: "São uma importante contribuição aos esforços mundiais".
"A China dá grande importância à conferência de Copenhague", disse o chefe de Governo do país que é o maior emissor de gases que provocam o efeito estufa no planeta.
"A China está decidida a fazer avançar a conferência no bom caminho", completou Jiabao, que estará presente na conferência na capital da Dinamarca.
Os países em desenvolvimento, com a China à frente, consideram que o aquecimento global é um assunto geral, mas destacam que os países ricos têm mais culpa e devem assumir esta responsabilidade histórica, com esforços maiores na redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa.
Os países emergentes esperam assim dos desenvolvidos uma ajuda financeira para o combate às mudanças climáticas.
A China anunciou pela primeira vez na semana passada uma meta em números a respeito do aquecimento global, com o compromisso de reduzir a "intensidade carbónica" (emissões poluentes por unidade do PIB) entre 40 e 45% até 2020, na comparação com 2005.
A conferência de Copenhague pretende impor um freio ao aumento das emissões de gases do efeito estufa que poderiam provocar um aquecimento do planeta de até 6,4 graus centígrados no fim do século, segundo a pior das hipóteses contemplada em 2007 pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

29 de novembro de 2009

DESCARRILAMENTO NA RÚSSIA


Autoridades suspeitam que segundo engenho, por qualquer motivo, não explodiu ontem à noite
Redacção / PP Vota 12345Resultado 12345 votos
Descarrilamento na Rússia mata dezenasUm segundo engenho explosivo explodiu, este sábado tarde, na via-férrea russa onde sexta-feira à noite uma primeira explosão provocou o descarrilamento de um comboio de passageiros e matou, pelo menos, 28 pessoas.
Rússia: grupo nacionalista reivindica atentado
A segunda explosão aconteceu horas depois dos serviços de segurança da Rússia terem confirmado que o descarrilamento que matou perto de três dezenas de pessoas e feriu cerca de uma centena não foi um acidente. Nos carris, por baixo dos vagões acidentados, os investigadores encontraram uma cratera de vários metros de diâmetro, provocada por uma explosão de TNT.
As primeiras investigações apontam para um engenho de fabrico artesanal com cerca de 7 quilos, colocada na via, e que explodiu à passagem do comboio. O comboio fazia a ligação entre Moscovo e São Petersburgo.

26 de novembro de 2009

"CAIM" - A DESILUSÃO

O teólogo católico Joaquim Carreira das Neves explica por que ficou desiludido com a leitura do livro "Caim". Em artigo de opinião, escreve que José Saramago "pode ficar totalmente em paz porque só é herege quem é crente". E agradece o convite, feito pelo escritor e pela mulher, Pilar del Río, para visitar Lanzarote.
Joaquim Carreira das Neves (www.expresso.pt)
14:49 Sábado, 31 de Out de 2009
Padre Joaquim Carreira das Neves
Luiz Carvalho
Todos temos desilusões na vida: com amigos, clube de futebol, partido político, ideais e sonhos... Aconteceu-me também com José Saramago, que admiro como ficcionista. Com as descobertas linguísticas dos séculos XVIII-XX já não se lêem textos sem os contextos e hipertextos, as pequenas narrativas sem as macronarrativas. A Bíblia das escrituras hebraicas (Antigo Testamento com 46 livros) e gregas (Novo Testamento com 27 livros) oferecem-nos um Código de vida dependente da fé em Deus, composto ao longo de dois séculos (AT) e de um século (NT).
Constituem um processo histórico de gente com nomes, mas, sobretudo, de gente anónima. Do AT só conhecemos o nome de um autor - o Ben Sirac - , e, do NT, o nome de S. Paulo para sete das suas cartas. Todos os demais autores são fruto de decisões das respectivas comunidades, a judaica e a cristã - o chamado Cânone.
Ler a Bíblia é um desafio para qualquer pessoa, mais letrado ou menos letrado, crente ou descrente. Encontramo-nos com mitos, sagas, lendas, poesia, sabedoria, contos, profecia, "romances" (Rute e Ester), evangelhos, cartas, apocalipse. Encontramo-nos com um Deus único, criador, senhor de um povo, defensor ciumento desse povo a quem impõe leis, a quem prova, por quem combate e por quem aniquila inimigos (AT).
Ilustração: Cristina Sampaio
É um Livro de livros, com narrativas esplêndidas, umas, aborrecidas - muito aborrecidas -, outras. Mas quem estudar o texto no seu contexto acaba por se apaixonar, até os não crentes. E foi com toda esta boa disposição que, entre outros de José Saramago, li também o Evangelho Segundo Jesus Cristo e, agora, o Caim. Quem gosta de literatura gosta de imagens, metáforas, analepses e prolepses, narrativas de idealismos míticos e messiânicos, de paixões humanas, de mundos de Deus e do Diabo, de esperança e desespero. Na Bíblia está tudo. E, a nível literário, José Saramago é um "mago" de imagens e metáforas (Harold Bloom dixit).
E foi por tudo isto que aceitei o repto da SIC para me encontrar com o Prémio Nobel da literatura. E a desilusão aconteceu. Nunca pensei que um Prémio Nobel da Literatura, mesmo ateu confesso e militante, folheasse as narrativas bíblicas de maneira literalista e fundamentalista. Saramago respiga, na Bíblia, os textos mais "escandalosos", que têm Deus por autor, e classifica esse Deus de "filho da p..." (p. 82), sanguinário, colérico, absolutamente mau. A Bíblia é um "manual de maus costumes...".
E os milhões de judeus e cristãos que nela depositam confiança, o que são? E os milhares de exegetas bíblicos, que queimam as pestanas de noite e de dia, a estudá-la, o que são? E as Bibliotecas, de centenas de milhares de livros sobre a Bíblia, ou as dezenas de Revistas científicas dedicadas à Bíblia, em todas as línguas, o que significam? E porque é que a Bíblia continua a ser o best-seller de todos os livros e a inspiração para grandes romancistas, artistas, igrejas e catedrais?
Sempre pensei que o encontro de José Saramago com o Prof. Tolentino Mendonça e comigo o convencesse a mudar de agulha. Nada. O Deus da Bíblia é o Deus daquela letra e nada mais. Como classificar, então, o livro Caim? Saramago começa mal ao apresentar os dois irmãos, Caim e Abel. Põe Abel a louvarinhar-se a si próprio desafiando semanas seguidas o seu irmão Caim pelo facto do "senhor" (Deus) aceitar as suas oferendas e rejeitar as do irmão (p. 36s). Mas o texto bíblico (Génesis 4, 3-8) oferece-nos um Abel que nunca abre a boca. É um pastor que apresenta as suas ofertas a Deus, aceites por Deus, e que é morto por Caim, chateado - este, sim - com Deus por não aceitar também as suas ofertas. Nada mais.
A partir daqui, Caim sente-se amaldiçoado por Deus, e leva uma vida errante, merecedor de ser também morto, mas Deus não consente e, por isso, coloca-lhe na testa um sinal de defesa mortal. Nesta errância geográfica, Saramago é um excelente ficcionista em todos os anacronismos caínicos: Caim encontra-se com Abraão, Moisés, Josué, Noé, Job e demais personagens bíblicas. São personagens trágicas "manipuladas" por um "senhor" (Deus) trágico e sádico que obriga Abraão a sacrificar o seu próprio filho, as cidades de Sodoma e Gomorra a desaparecer num fogo divino sem poupar as crianças, Lot a ser embebedado pelas duas filhas para, através de incesto, ficarem grávidas do pai. Josué vai conquistando os cananeus por obra e graça do senhor guerreiro (Deus), que impõe a lei do herem (anátema) a todos os inimigos conquistados: matar gados, homens, mulheres e crianças, despojos de guerra.
Mas regressemos à substância do tema: saber ler o texto no seu contexto. Por escassez de espaço fixemo-nos apenas em três exemplos contra os quais Saramago se insurge.
Sobre Caim e Abel, o livro de Génesis oferece-nos vinte e quatro versículos e não apenas os nove de Saramago. Sem este contexto não entendemos nada de Caim. No versículo 17 lemos: "Caim conheceu a sua mulher. Ela concebeu e deu à luz Henoc. E começou, depois, a edificar uma cidade, à qual deu o nome do seu filho Henoc". Um dos descendentes de Caim foi Tubal-Caim (4, 22), pai daqueles que fabricavam todos os instrumentos de cobre e ferro". Quem é, então, o Caim da Bíblia? Não é um indivíduo mas o epónimo de uma cultura e civilização - a das cidades -, muito mal vista por um fio condutor e transversal a toda a Bíblia do AT, que opõe a cultura e civilização dos pastores (Abel) à das cidades.
Nas cidades há senhores, patrões, gente rica e trabalhadores pobres e mal tratados, enquanto que na cultura dos pastores são todos iguais, vivem em fraternidade, cumplicidade, mútua ajuda. O mitograma de Génesis sobre Caim e Abel consubstancia estas duas culturas (ler Juízes 9 e Samuel 8 contra a monarquia). A Bíblia não conhece a ciência da paleontologia, arqueologia, nem os períodos do paleolítico, neolítico, mesolítico, mas conhece os períodos civilizacionais do ferro e cobre, das cidades e dos pastores. O mal vem das cidades, dos senhores que detêm a riqueza dos campos e dos minerais. A costela da esquerda política de Saramago devia ficar satisfeita com a Bíblia.
O incesto das duas filhas de Lot (Génesis 19, 30-38) é um conto ou lenda para denegrir dois povos inimigos de Israel. Não são filhos que elas dão à luz, mas dois povos (19, 37s: "A mais velha deu à luz um filho, ao qual deu o nome de Moab, pai dos moabitas, que vivem ainda hoje. A mais nova teve igualmente um filho, ao qual deu o nome de Ben-Ami, pai dos amonitas, que vivem ainda hoje).
As leis do Herem aplicadas aos povos cananeus conquistados por Josué era, infelizmente, um costume em todo o Próximo Médio Oriente. Conquistar povos pagãos e deixar homens e mulheres, inseridos culturalmente, conduziria ao perigo dos crentes monolátricos e monoteístas perderem a sua identidade através dos casamentos mistos.
Foi muito pior o nazismo, o comunismo de Estaline, MaoTsé Tung, Pol Pot... São páginas bíblicas que não gostamos de ler segundo os nossos conceitos cristãos e democráticos. Mas a Bíblia não nasceu nem em tempos de democracia ocidental nem com a Carta das Nações Unidas sobre os direitos humanos. Jesus, muito diferente do AT, pronunciou: "Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos difamam, rezai pelos que vos caluniam. A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra..." (Lucas 6, 27 e par).
É assim tão difícil ler o texto no seu contexto? A pequena narrativa na grande narrativa?
José Saramago terminou, na SIC, por dizer: "Na Carta das Nações Unidas falta a enunciação de dois direitos: "o direito à dissensão e à heresia". Se por dissensão entendemos o direito à diferença, política ou religiosa, já lá está, e quanto à heresia, como me pronunciei então, José Saramago pode ficar totalmente em paz porque só é herege quem é crente. Quanto ao mais, agradeço o convite que me fez, reiterado pela sua mulher, a quem dedica o livro ("A Pilar, como se dissesse água"), para o visitar em Lanzarote.

HOMEM CASA-SE COM PERSONAGEM DE VIDEOJOGO

Parece mentira mas é verdade, um homem casou-se com uma personagem de um videojogo. A cerimónia teve direito a padre, música, padrinho e roupa a rigor.
Os noivos são ambos japoneses. Ele é fã do jogo Love Plus, da Nintendo, e decidiu trocar votos de amor eterno com uma das personagens do título, Nene Anegasaki. O casamento, embora não oficial, aconteceu fisicamente, com SAL9000 - nome pelo qual o noivo é conhecido na Internet - e a sua Nintendo DS, na presença de um padre. O vídeo da cerimónia encontra-se online.
Ao casamento precedeu um namoro de longa data. O romance teve início durante o jogo - destinado apenas ao mercado japonês - que consiste em seduzir uma de três raparigas virtuais e consolidar uma relação.
Em Love Plus o utilizador dispõe de várias formas para interagir de diversas formas com a sua namorada virtual, que vão das carnais carícias ao intelectual envio de emails. O ritmo do jogo está sintonizado com a hora real e as namoradas virtuais têm milhares de tons de voz.
Ao que parece, a relação extravasou os limites do mundo virtual. E já não é a primeira vez que um dos jogadores tenta passar dos controlos da consola aos actos, na Internet encontram-se relatos de outros japoneses apaixonados por raparigas virtuais, e de pelo menos mais um caso que deu em casamento.

24 de novembro de 2009

CADA DIA HÁ "UM POUCO MENOS DE LIBERDADE" E "UM POUCO MENOS DE JUSTIÇA"

AR: Cada dia há "um pouco menos de liberdade" e "um pouco menos de justiça" - Presidente do PSD
Espinho, 24 Nov (Lusa) - A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, sustentou hoje que a sociedade portuguesa vive "um constante diluir dos contornos democráticos", em que cada dia há "um pouco menos de liberdade" e "um pouco menos de justiça".
Espinho, 24 Nov (Lusa) - A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, sustentou hoje que a sociedade portuguesa vive "um constante diluir dos contornos democráticos", em que cada dia há "um pouco menos de liberdade" e "um pouco menos de justiça".
No discurso de encerramento das jornadas parlamentares do PSD, num hotel de Espinho, Manuela Ferreira Leite defendeu que o progresso económico do país depende do "reforço do papel da sociedade civil" e da melhoria da "qualidade da democracia".
"De nada serve o anúncio de grandes medidas ou o modelo que se queira seguir de casos de sucesso se os fundamentos da democracia estão corroídos, se as pessoas não confiam nos seus dirigentes, se a concorrência for ignorada, se a honestidade não for garantia de todos os negócios em que intervenha o Estado", disse.

INFARMED ORDENA SUSPENSÃO DA VENDA DE VÁRIOS LOTES DE BEN-U-RON



A autoridade que regula o sector do medicamento (Infarmed) ordenou a suspensão da venda no mercado nacional de vários lotes do medicamento Ben-U-Ron indicado para aliviar a dor e diminuir a febre.
Num comunicado publicado no seu "site", a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde informa que foi detectada "uma alteração da tonalidade da cor" do medicamento, pelo que ordenou "a suspensão imediata da comercialização do lote em causa".
O Infarmed justifica esta decisão como uma "medida de precaução e zelo da saúde pública".
A firma Neofarmacêutica SA já está a proceder à recolha voluntária do medicamento Ben-U-Ron Xarope, paracetamol, 40mg/ml, acrescenta.
Os lotes em causa são: 301 A091; 303 A091; 304 A091; 305 A091; 306 A091; 307 A091; 308 A091; 309 A091; 310 A091; 311 A091; 312 A091; 313 A091; 314 A091; 315 A091; 301 C091; 302 C091; 303 C091; 304 C091; 305 C091; 306 C091; 307 C091; 308 C091; 309 C091; 310 C091; 311 C091; 312 C091; 313 C091; 314 C091; 315 C091; 316 C091.
O Ben-U-Ron está indicado no tratamento de síndromes gripais ou outras hipertermias infecciosas, reacções hiperérgicas da vacinação, cefaleias, enxaquecas, dores de dentes, de ouvidos, menstruais e traumáticas.